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26 DE NOVEMBRO DE 2010

NO QUADRIL, UMA DOR QUE AFETA MAIS AS MULHERES

Este artigo é especialmente dedicado às mulheres, pois são elas que lideram as estatísticas de queixas de dor no quadril. A proporção é de 4 mulheres para 1 homem e a bursite trocantérica é a causa mais comum destas queixas...

Por: Evelise Zaidan e Priscila Frias

NO QUADRIL, UMA DOR QUE AFETA MAIS AS MULHERES
DOR QUE AFETA MAIS AS MULHERES
A bursite trocantérica é conhecida como uma dor crônica na lateral do quadril, caracterizada por uma inflamação da bursa, uma pequena bolsa, cheia de liquido, encontrada em várias articulações do corpo como ombro e quadril, com a função de "amortecedor" e de diminuir o atrito entre estruturas ao redor da articulação durante o movimento.

A articulação do quadril é extremamente complexa (possui 32 músculos), que é submetida a grandes forças durante a atividade física, tanto para estabilização como para movimentação. Na literatura é descrito que durante uma caminhada lenta, esta articulação recebe 1,6 vezes o peso do corpo, e na corrida aumenta para 5 vezes em cada apoio do pé no chão. Esta carga é resultante de várias forças distintas que o quadril recebe durante a atividade, entre elas a força de impacto do calcanhar, força de reação do solo e força dos músculos sobre a articulação.

ONDE SE LOCALIZAM AS BURSAS DO QUADRIL?
Na articulação do quadril existem de 14 a 21 bursas, mas a inflamação da bursa trocantérica é a causa mais comum de dor.

A bursite se dá quando ocorre a inflamação da bursa, no caso da trocantérica, localizada no quadril, mais especificamente próxima a uma proeminência do fêmur, o trocanter maior. Nesta região se insere o músculo glúteo médio, responsável em estabilizar a bacia, evitando sua "queda" quando a descarga de peso ocorre apenas em um membro inferior, como ao damos um passo.

O músculo glúteo médio não é o único responsável pela estabilização do quadril, já que, junto com ele, uma estrutura fibrosa muito forte, localizada na região lateral do quadril, faz este trabalho: a fáscia-lata. Entre o glúteo médio e a fáscia-lata está a bursa trocantérica, evitando o atrito excessivo entre eles.

Logo abaixo do trocanter maior insere-se o músculo glúteo máximo, um potente extensor do quadril, isto é, leva o membro inferior pra trás. Durante a caminhada e principalmente durante a corrida, este tendão empurra a bursa contra o trocanter maior repetidamente, aumentando sua pressão, levando assim a uma maior predisposição à irritação e conseqüente inflamação.

É mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos de idade. A corrida, principalmente de longa distância como a maratona, assim como o ciclismo, o futebol e alguns exercícios de musculação são práticas esportivas que tendem a desencadear o quadro, pois são atividades de esforço repetitivo que podem causar micro-traumas de repetição, ou lesões por overuse.

O trauma direto causado por uma queda sobre o trocanter maior ou pancada na região também pode desencadear a bursite de forma súbita, devido à hemorragia na bursa, aumento do volume e consequentemente aumento do atrito. Mas, pesquisas revelam que em 8% dos casos de bursite trocantérica as causas são desconhecidas.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?
A dor localizada na região lateral do quadril é o principal sintoma, no início ocorrendo apenas na corrida e ao subir escadas, e em alguns casos na caminhada. Com a progressão do quadro, a dor pode ocorrer também ao repouso e com irradiação para a coxa. Algumas pessoas se queixam de dor quando tentam cruzar as pernas na posição sentada ou ainda quando deitam sobre o lado afetado. A piora da dor é lenta ou abrupta de acordo com a atividade praticada.

Ao exame clínico o atleta pode referir dor à palpação na região lateral do quadril; na maioria das vezes essa dor é localizada, mas em 25 a 30 % dos casos a dor irradia para a lateral da coxa. É observado também o aumento da temperatura no local da inflamação. O movimento não fica limitado, porém é doloroso em situações como a flexão do quadril, abdução (elevar a perna lateralmente) e rotação interna (girar a perna para dentro).

EXISTEM FATORES DE RISCO?
Sim, e muitos deles podem ser evitados ou minimizados. São eles: encurtamento da fáscia-lata e do músculo glúteo médio, diferença de comprimento entre os membros inferiores, pé supinado e alteração pré-existente em coluna vertebral como artrose, escoliose e hiperlordose.

Em casos de atletas que apresentam diferença de comprimento de membros inferiores, a correção pode ser feita utilizando palmilhas ou tênis adaptados, porém essa adaptação deve ser feita apenas com a indicação de um profissional de saúde, pois o uso inadequado pode agravar o problema. Geralmente, usa-se adaptações apenas em diferenças de comprimentos de membros acima de 1 cm.

COMO DIAGNOSTICAR A BURSITE TROCANTÉRICA?
A investigação começa por uma história clínica detalhada dos sintomas e da prática esportiva realizada. É importante relatar ao médico deformidades ou cirurgias já realizadas no quadril e também na coluna, mesmo que tratadas na infância, pois qualquer alteração desta natureza pode alterar a biomecânica (funcionamento adequado) do quadril, levando a alterações na atuação muscular e causando assim atrito anormal na bursa. Serão mensurados também os comprimentos dos membros inferiores, a flexibilidade e força muscular dos músculos envolvidos.

O diagnóstico é praticamente clínico, exames de imagem como ultra-som, raio-x ou ressonância magnética são utilizados apenas para descartar problemas de outra natureza, como tumores ou processos articulares degenerativos.

TRATAMENTO
O tratamento é clínico, na sua grande maioria, sendo raros os casos com indicação cirúrgica.

O tratamento fisioterapêutico tem como objetivo o equilíbrio muscular, a diminuição da dor e da inflamação. O fisioterapeuta fará uma avaliação criteriosa para detectar quais são os grupos musculares fracos, tensos e encurtados; além disso, uma avaliação da marcha (modo de andar), da postura e de outras articulações, como a coluna lombar, é fundamental para traçar um tratamento global.

Para a articulação do quadril, os exercícios enfocam, de uma maneira geral, o alongamento muscular de glúteos, laterais do quadril e tensor da fáscia lata, o fortalecimento de adutores do quadril (músculos internos da coxa e quadril) e o relaxamento do músculo tensor da fáscia lata e da própria fáscia lata. Além de recursos antiinflamatórios e analgésicos como a eletroanalgesia (TENS), laser, ultra-som, ondas curtas e a crioterapia.

Outro recurso utilizado é a infiltração, onde o médico aplica um fármaco no local da inflamação para diminuir os sintomas e o processo inflamatório. Essa técnica será realizada a critério do médico.

PARA PREVENIR
O treino consciente é sempre a melhor prevenção de lesões de um atleta. O bom preparo fisco, respeito aos limites pessoais e o equilíbrio muscular adequado são fundamentais para que a atividade seja praticada de maneira saudável.

Se tiver um treinador, procure informá-lo sobre qualquer sintoma de dor ao movimento ou à palpação na região lateral do quadril. Apresente também o seu histórico de lesões, quedas, traumas, cirurgias e dores de qualquer natureza, para que ele possa planejar o seu treino, adotando as precauções necessárias.

Qualquer lesão tratada no início tem maior chance de cura, menor tempo de tratamento e permite que o atleta possa voltar a sua atividade com segurança.
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